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CUIDADO COM A BIRRA, que a birra te pega!

Escrito por and

Se você é pai, mãe ou pretende ser, prepare-se! Em algum momento isso vai acontecer contigo!

Muitos já viveram a dificuldade de lidar com esse problema e, quem não viveu, com certeza já o presenciou. Certamente, alguma vez, enquanto você passeava pelo shopping, já se deparou com uma criança frente a uma loja de brinquedos, gritando/ esperneando e, ao lado dela, um adulto assustado, aparentando estar com raiva e, até mesmo envergonhado? Já foi você a pessoa que estava ao lado desta criança, sentindo todos os olhos se voltarem para você? Que situação difícil, não é mesmo? Muitas vezes não sabemos como agir, enquanto pais, sequer como expectadores. Por isso, nosso objetivo aqui é tentar explicar um pouco sobre como a birra aparece e por que ela se mantém.

VAMOS NESSA?!

O primeiro ponto importante é termos claro que NENHUM comportamento acontece “DO NADA”. Tudo o que fazemos é comportamento e todos eles acontecem dentro de um contexto. As birras não são diferentes. O segundo ponto fundamental é compreendermos que TODOS os nossos comportamentos produzem CONSEQUÊNCIAS. Quando fazemos algo, promovemos mudanças em nosso ambiente (seja material ou nas pessoas que estão próximas). As situações de birra, não fogem à regra. As crianças (ou adolescentes) fazem a birra e coisas ao seu redor acontecem (consequências).

TENDO CLARO ESSES DOIS ASPECTOS, PODEMOS SEGUIR…

A infância é o momento em que começamos a experimentar diversas sensações, sentimentos bons e ruins. O modo como nossos pais e família, nos orientam e acolhem, acaba por nos ensinar como vamos lidar com essas sensações no futuro. A birra nada mais é do que emoções e sentimentos sendo expressados de modo incômodo e intenso. Na maioria das vezes, esses comportamentos acontecem quando uma criança, por exemplo, se sente frustrada (diante de uma negativa, de uma perda). Nos primeiros episódios de frustração é possível que essa criança, por ainda não saber se expressar, grite, chore, bata, se jogue no chão, na tentativa de se livrar daquele incômodo.

ATENTE-SE!

É exatamente nestas primeiras tentativas que começamos, enquanto responsáveis, a ensiná-las como lidar com essas sensações. Você se lembra que falamos sobre todo comportamento produzir consequências? Pois bem, se nos primeiros episódios de birra, pais e familiares reagirem a esses comportamentos cedendo ao que a criança quer, dando atenção demasiada, flexibilizando combinados… adivinhe o que pode acontecer? Isso mesmo… estarão ensinando a essa criança que ela pode conseguir o que quer e eliminar suas sensações ruins, gritando, chorando, batendo etc. Desta forma ela aprende como fazer e, em situações futuras, há uma grande chance dessa mesma criança, quando se sentir frustrada, reagir da mesma forma. Instalando-se assim um padrão de BIRRAS bastante frequente.

NÃO PARA POR AÍ…

Muitas das vezes, quando esse padrão se torna recorrente, os pais se incomodam e decidem, então, “reverter” a situação. Começam a achar que a criança premedita e planeja: “ah, vou provocar meus pais até ganhar esse brinquedo”. O que não é verdade, na maioria das vezes. Na tentativa de reverter esse quadro, os pais passam a discutir com a criança no momento de raiva, fazendo com que as birras se intensifiquem e se configure um quadro “incontrolável” e muito incômodo para a família. Tão logo, essa situação se transforma num caos familiar: pais cansados, fragilizados e crianças ansiosas e intolerantes.

Você deve estar se perguntando: O que fazer para não chegar a este ponto?

A resposta para esta pergunta não é tão simples e pode variar um pouco, de acordo com a realidade de cada família e a partir do processo de aprendizagem estabelecido para estes comportamentos. No entanto, algumas considerações podem ajudar muito. E a primeira delas é sobre REGRAS e COMBINADOS.

O QUE É UMA REGRA?

Uma regra efetiva é composta por 03 (três) partes: o CONTEXTO em que é para ser seguida, O QUE DEVE SER FEITO e A CONSEQUÊNCIA por cumpri-la ou não. Regras bem elaboradas são aquelas que ajudam a criança a entender o que é para fazer. Sendo assim, altere o “Não grite!” por “Fale mais baixo enquanto o papai trabalha. Assim consigo terminar mais rápido e brincar com você”. Os combinados estabelecidos organizam a rotina, fornecem limites, ensinam o seguimento de regras sociais e promovem sensação de segurança e amparo para as crianças. É como se elas soubessem quais caminhos percorrer, porque existem adultos cuidadosos a orientando em relação ao que pode ser feito.

Quando queremos algo e não podemos ter, sentimos diversas sensações desconfortáveis. Além disso, é muito ruim quando alguém só te obedece quando você grita, certo? Por isso, é necessário reconhecer nossos limites para que saibamos como aplicar as regras (até onde consigo ser consistente e realmente cumprir). Por exemplo, “Maria, se você não arrumar sua cama agora, você NÃO VIAJARÁ CONOSCO NAS FÉRIAS!” – de fato você não vai deixar a Maria em casa nas férias, então trata-se de uma ameaça sem fundamento, certo?!  A partir da consciência do que você consegue ou não cumprir de fato, se torna mais fácil deixar claro o que a criança deve fazer, bem como saber até onde suportar uma birra. O ideal é que exista uma conversa CLARA sobre as regras e o que acontece se não for cumprida.

E se mesmo repetindo a regra diversas vezes a criança continuar fazendo birra?

Após explicar as limitações da situação e dizer que entende o que ela quer, mas não é o momento, é necessário ser firme e consistente com o que foi dito. Assim, produzir consequências adequadas para quando a regra não for cumprida.

Por exemplo, na situação do shopping, após explicar o porquê de não poder ganhar e dar uma regra clara sobre o que a criança deve fazer, se ainda assim a birra insistir e a criança continuar a se comportar de forma inadequada, e MESMO ASSIM ganhar o brinquedo, pronto!!! Nas próximas vezes já sabe o que fazer quando quiser algo. O ideal seria que de nenhuma forma esse brinquedo fosse dado naquele momento. Uma consequência adequada seria sair da loja e até ir embora do shopping (se o passeio fosse dedicado à criança).

É claro que a situação é difícil, e MUITO por sinal! E às vezes os pais estão tão cansados e atarefados que acabam fazendo o impossível para os filhos, sendo muito flexíveis com as regras, acabando por produzir, SEM INTENÇÃO, as birras. Em várias situações o sentimento de culpa faz repensar se o filho não merece isso e aquilo, afinal “ele está indo tão bem na escola…”. Contudo, é importante refletir sobre como colocar limites de modo firme e carinhoso é importante para o desenvolvimento saudável das crianças e para desenvolver habilidades que serão importantes para a vida futura, como lidar com frustrações.

POIS BEM…

Se você é pai e mãe e nos acompanhou até aqui, queremos nos certificar sobre sua compreensão a respeito da importância do seu modo de se comportar em relação aos comportamentos de seu filho. Ficou claro o quanto seu comportamento pode favorecer episódios de birra? Ficou clara a relação entre comportamento e consequência? Percebeu que seus comportamentos, muitas vezes, são consequências para o comportamento de seu filho? Pareceu importante descrever regras claras? Você se sente mais confiante para lidar com as birras (quando acontecerem) de seus filhos?

Se a maioria das respostas, às perguntas acima, foram negativas… Gostaríamos muito que lessem o texto sobre ORIENTAÇÃO PARENTAL (clique aqui). Ele vai te ajudar a buscar um novo caminho! E, se a maioria das respostas foi positiva, recomendamos que você leia também! O texto está uma delícia e vale a leitura. Afinal, uma ajudinha nunca é demais, não é?

Um abraço afetuoso! Desejamos que se divirta muito nessa aventura que é educar! E se precisar, estamos aqui, prontos para ajudar!