Pokémon Go e Relacionamentos Interpessoais

Desde o dia 9 de setembro de 2015, pessoas de todas as idade e regiões do mundo aguardavam o lançamento do jogo Pokémon GO. O trailer de lançamento inicial do jogo mostra os Pokémon ou “monstros de bolso” espalhados por montanhas, cidades e parques ao redor do globo. Em seguida algumas possibilidades são apresentadas envolvendo batalhas entre os monstros, trocas, união para capturar um lendário, além dos grupos de “treinadores” caçando seus Pokémons.

A frase “Imagine pokémon in the real world” – Imagine, Pokémon no mundo real, apresenta os monstros de bolso em vários locais do mundo, tais como: Japão, França e Estados Unidos. Várias interações acontecem, sugerindo que o jogo poderia favorecer o contato social, aproximar as pessoas e desenvolver amizades, ou seja, a expectativa das empresas responsáveis, Nintendo e Niantic, repousa na premissa de que este jogo é inovador, pois servirá para estreitar as relações interpessoais entre pessoas de diferentes regiões do mundo.

A versão beta (ou de teste) foi lançada inicialmente no Japão, Austrália e Nova Zelândia. No dia 06 de julho de 2016, o jogo foi lançado nos Estados Unidos. Dois dias após o lançamento, a Nintendo havia registrado um aumento de US$ 7, 5 bilhões em dois dias, além de dominar 5% da base de dispositivos Android dos Estados Unidos (Site Pokémon GO Brasil). No Brasil, o jogo foi lançado no dia 22 de julho, e rapidamente se tornou uma febre. Há uma grande expectativa em relação as novidades aguardadas para o aplicativo, atualizações e acessórios, como o Pokémon GO Plus, que servirá como um dispositivo semelhante a um relógio. Esse será conectado ao celular, e servirá para avisar ao jogador os eventos disponíveis no aplicativo.

Muitas são as considerações sobre o Jogo Pokémon GO, mas, nestes últimos meses os pais, educadores, pediatras e psicólogos iniciaram uma longa discussão sobre os efeitos do jogo/aplicativo, principalmente no que se refere ao comportamento de crianças e adolescentes. A revista médica Current Opinion in Pediatrics (Serino et al, 2016), publicou os efeitos positivos e negativos do aplicativo. Eles incluem o aumento de exercícios, socialização e atividades ao ar livre. Os autores relatam sobre alguns riscos de lesões, atropelamentos e roubos, como aspectos negativos do jogo se utilizado sem vigilância e precaução.

Na primeira semana de seu lançamento o jogo atraiu mais de 65 milhões de usuários de todas as faixas etárias, ocorrendo diversos relatos de pessoas que estão utilizando o aplicativo. Um dos casos que chamou a atenção é o de Adam, um adolescente autista de 17 anos que passou os últimos cinco anos em casa, jogando Minecraft (jogo de computador). Segundo relatos da sua mãe, ele não aguentava ficar na rua, pois começava a se tremer e a ter dores no estômago. Atualmente, com o estímulo do Pokémon GO, Adam está saindo mais de casa, interagindo com outras pessoas e seus familiares (G1, Globo).

Nas escolas, muitas crianças encontram dificuldades para se enturmar, iniciar uma conversa e fazer parte de grupos. Isso não significa que eles não tenham interesse, entretanto, nessa fase, enturmar-se não é algo simples. Quando esses jovens têm assuntos em comum, pode ser uma boa oportunidade para começarem a se comunicar, sendo o Pokémon GO, um facilitador. E, assim, como no caso de Adam, pode auxiliar também nas interações familiares. Como por exemplo, pais que constantemente se queixam que os filhos passam muito tempo no quarto com o videogame e/ou computador. Isso pode refletir no desempenho social dos adolescentes, que se isolam e acabam tendo poucos amigos.

Recentemente, o British Medical Journal declarou que o Pokémon GO também pode ser um grande aliado no combate a obesidade infantil (Mccartney, 2016). Crianças com sobre peso ou obesidade não se sentem animados a fazer atividades físicas tradicionais, sendo um desafio para os pais conseguirem manter uma rotina de exercícios aeróbicos. Nesse caso, o jogo pode ajudar na motivação da criança, pois o jogador precisa se locomover para pegar Pokémons, podendo os pais, utilizarem-se do jogo e do brincar como uma forma de atividade física.

Em ambos os casos, profissionais da saúde e educadores apresentam um papel fundamental no aconselhamento de pais e filhos sobre precauções de segurança e estabelecimento de limites apropriados. No entanto, quando o assunto é de crianças ou jovens com dificuldades, tanto sociais quanto para a perda de peso, elas podem se beneficiar de um tratamento terapêutico realizado por um acompanhante terapêutico (AT). Esse profissional lidaria com maior frequência e diretamente no contexto em que a criança se encontra para traçar estratégias a fim de ajudá-la a enfrentar suas dificuldades. O profissional, tendo conhecimento sobre os gostos/interesses da criança pelo jogo, facilitaria sua atuação e intervenção (por meio de diversas estratégias comportamentais), além de conseguir orientar a família com melhor precisão sobre os benefícios e perigos do aplicativo.

Ao abarcar essas informações e, conscientes do contexto social atual, a Equipe AT, em São Paulo, está realizando um projeto denominado “Rolê da Equipe AT”. Esse projeto busca desenvolver repertório de crianças com dificuldades nas interações sociais por meio da formação de grupos mediados pelos profissionais – acompanhantes terapêuticos. Com a escolha de locais e atividades que motivem crianças, é possível promover que elas interajam com seus colegas e enfrentem suas dificuldades de forma a proporcionar cada vez mais autonomia e socialização. Para maiores informações, clique aqui

Referências

Serino, Maeve et al. (2016). Pokémon Go and augmented virtual reality games: a cautionary commentary for parents and pediatricians. Current Opinion in Pediatrics, 28(5), 673-677.

Mccartney, Margaret. (2016). Game on for Pokémon Go. British Medical Journal354, i4306.

Como ‘Pokémon Go’ transformou vida de jovem autista que não conseguia sair de casa. Disponível em: <http://g1.globo.com/tecnologia/games/noticia/2016/08/como-pokemon-go-transformou-vida-de-jovem-autista-que-nao-conseguia-sair-de-casa.html>. Acesso em 12 de agosto de 2016.

Pokémon Go eleva valor de mercado da Nintendo em US$ 7,5 BI em 2 dias. Disponível em: <http://pokemongo.net.br/pokemon-go-eleva-valor-de-mercado-da-nintendo-em-us-75-bi-em-2-dias>. Acesso em 12 de agosto de 2016.

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